Os hospitais da rede privada, que não têm vínculo com o Sistema Único de Saúde (SUS), devem apresentar planos de contingência para enfrentamento do novo coronavírus. A decisão, da Prefeitura de Curitiba, foi publicada na quarta-feira (10), em decreto.

Com o decreto, que é válido por 30 dias, os hospitais da rede privada passam a ter a necessidade de informar, todos os dias, à Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, os dados de ocupação dos leitos, bem como os recursos disponíveis para emergências.

Segundo a administração municipal, os leitos disponíveis poderão ser requisitados.

O documento estabelece, ainda, que essas instituições devem prever o remanejamento de, no mínimo, 50% dos leitos clínicos e cirúrgicos registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) para atendimento exclusivo da Covid-19 (casos suspeitos ou confirmados).

A exigência exclui leitos de obstetrícia, oncologia, cardiologia, nefrologia, oftalmologia e traumatologia (destinados a procedimentos cirúrgicos essenciais).

Estes leitos, segundo a prefeitura, podem ser utilizados apenas para o atendimento de situações de urgência e emergência essenciais, para não agravar os quadros clínicos.

De acordo com a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, essa é uma medida extrema.

“Em momento tão crítico, os leitos disponíveis não podem ser usados para cirurgias eletivas, por exemplo. Não é o momento para isso. Precisamos usar todos os recursos que forem disponíveis para o enfrentamento da Covid-19”, explica.

A secretária disse que, desde o começo da pandemia, Curitiba se preparou com plano de contingência e ampliou leitos de UTI e enfermaria para Covid-19, mas que, na rede particular, essa ampliação não ocorreu na mesma intensidade.

“Com o recrudescimento da pandemia, passamos a atender pelo SUS um grande contingente de pacientes acometidos com a doença oriundos da rede particular e convênios, sobrecarregando ainda mais a rede municipal em um momento tão crítico. Precisamos que a rede privada também faça seu plano de contingência”, detalhou a secretária.

Hospitais particulares no limite

O Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar) informou que recebeu o texto do decreto da Prefeitura de Curitiba. Segundo a entidade, quase todos os hospitais que atendem casos de Covid-19 operam acima da capacidade de atendimento.

Em reunião da diretoria do Sindipar na quarta-feira (10), cerca de 20 representantes dos principais hospitais privados de Curitiba avaliaram, de forma unânime, que o cenário atual na rede particular é semelhante ao da rede pública.

O sindicato afirma que a rede privada não dispõe de meios adicionais para abrir novos leitos exclusivos, que já estão à beira da lotação.

“Hospitais já operam em situação de alerta, com alguns trabalhando acima de sua capacidade operacional em alguns momentos. Temos que conter a atual projeção de subida da demanda, pois se os casos continuarem subindo, como vem acontecendo, teremos dificuldades e talvez não consigamos atender a todos”, alertou Flaviano Ventorim, presidente do Sindipar.

Conforme o presidente do sindicato, sem medidas efetivas e o comprometimento da sociedade com a prevenção da Covid-19, a situação só tende a piorar.

“É certo que o excesso de demanda provocará desassistência à população e, por consequência, mortes que poderiam ser evitáveis”.

Segundo o sindicato, o atendimento a outras doenças e emergências, como infarto, AVC e câncer, já está prejudicado.

“O prolongamento do período de internação e a mudança no perfil de internados, com o aumento do número de pacientes entre 30 e 59 anos, com quadros de rápido agravamento e necessidade de terapia intensiva, atribuídos à variante brasileira P1, vêm exercendo ainda mais pressão sobre a rede”, disse a nota do Sindipar.

Fonte: Lucas Sarzi, G1 PR