O Brasil vive um momento conturbado de extrema vulnerabilidade política e as pessoas estão cada vez mais descrentes naqueles que escolheram para conduzir o país. Pensando nisso, e como parte das ações para se aproximar da sociedade, estimular o debate de ideias e contribuir para o fortalecimento da democracia, a Femipa aderiu ao movimento Vote Bem, uma iniciativa apartidária de conscientização política que foi organizada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O lançamento aconteceu no dia 22 de julho com a palestra do ministro Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre os “Defeitos e virtudes do atual processo eleitoral”.

De acordo com Mendes, o Brasil vive um longo período de normalidade institucional e isso é algo que deve ser comemorado. Porém, o Tribunal, às vezes, comete erros por falta de conhecimento da realidade política. “Em alguns momentos nos inspiramos por um certo idealismo e achamos que podemos mudar a realidade, mas acabamos alimentando tudo isso. As distorções se acumularam, a confusão é geral e tem causas múltiplas. Hoje, discutimos várias questões, entre elas a reforma política e a mudança do sistema de governo. No Supremo Tribunal Federal (STF), estamos pensando no que é necessário para mudar esse cenário”, revelou.

Para o ministro, essas distorções corrompem o sistema como um todo e levam à situação de corrupção que o país vive hoje. Além disso, o anúncio de escândalos leva à percepção geral de uma corrupção sistêmica que perpassa todas as esferas. Segundo Gilmar Mendes, como a democracia é uma relação de confiança, a falta de credibilidade da população nos políticos acaba comprometendo a democracia e o sistema político brasileiro. Por isso, ele reforça que é fundamental que esse momento de grave crise sirva de inspiração para que se possa fazer o mínimo de reforma possível, garantindo, assim, solidez ao processo democrático.

“Quando falamos em reforma, estamos discutindo a sanidade do processo democrático. Não é fácil fazer reforma, porque temos que convencer pessoas que já estão convencidas do contrário. Temos um grande desafio pela frente e não podemos mais adiar essa discussão. Parece-me difícil imaginar que se consiga piorar a situação que vivemos, mas, às vezes, o Brasil insiste”, salientou.

Na avaliação de Mendes, os valores envolvidos nos casos de corrupção e denunciados pela Polícia Federal na operação Lava Jato são constrangedores. Além disso, o grande mistério das campanhas eleitorais hoje são as empresas que recebem grandes quantias de dinheiro para não prestarem serviço algum. De acordo com o ministro, são essas realidades que precisam ser mudadas.

Para que a reforma de fato seja feita, Gilmar Mendes garante que o primeiro passo será fazer uma imersão no sistema eleitoral para compreender os processos e atualizar o que significa o abuso. Ele ressalta, ainda, que a Justiça Eleitoral também precisa fazer uma autocrítica.

“Há muito que se fazer, mas nada será possível se não introduzirmos a discussão da reforma política. Não podemos prosseguir, por exemplo, nessa multiplicação de partidos. O sistema político exige funcionalidade. Será que não vamos conseguir um modelo de governança adequado? Continuaremos nesse sistema de corrupção que compromete os valores que conquistamos com tanta dificuldade?”, questionou.

Por fim, o presidente do Superior Tribunal Eleitoral disse que os brasileiros não podem mais permitir o descarrilamento do Estado de direito e que aqueles que têm alguma responsabilidade no sistema devem se engajar na reforma política. Para ele, o sistema político não é somente composto por mazelas e, por isso, deve-se lutar por ele.

“Já enfrentamos muitos obstáculos. O Estado de direito tem sido preservado e isso deve ser levado em conta. É preciso que tenhamos coragem. Conseguimos avançar em muitos pontos e agora precisamos encerrar esse ciclo que nos enche de vergonha”, completou.

Movimento

O movimento tem por objetivo estimular a reflexão sobre o voto responsável e mobilizar a sociedade sobre a importância de votar com informação e fiscalizar os representantes. Como principais ferramentas para essa mobilização, o Vote Bem vai utilizar a informação, o debate de ideias e a troca de experiências. Para o presidente da Femipa, Flaviano Feu Ventorim, o movimento é fundamental para o bom desenvolvimento da democracia no Brasil. Ele ressaltou que a população deve compreender que o voto é a melhor forma de mudar esse cenário de crise política que o Brasil enfrenta.

“A corrupção está instalada em nosso país e não é só na política; está em toda a nossa sociedade. Mas é na política que o reflexo é maior para todos nós. É preciso que as pessoas de bem se engajem politicamente e cobrem os resultados daqueles que se dispuseram a estar na política. Por isso, é fundamental que nessas eleições municipais, a população vote com consciência. Antes de decidir o voto, precisamos analisar as propostas e a conduta de cada candidato e partido. A responsabilidade é de cada um de nós”, declarou.

Para Campagnolo o voto é a principal ferramenta que o cidadão tem em mãos em uma democracia para influenciar nos rumos de sua cidade, seu estado ou seu país. “É pelo voto que escolhemos aqueles que vão representar nossos interesses nos poderes Executivo e Legislativo. É fundamental que o eleitor vote de forma consciente, escolhendo candidatos realmente comprometidos com os anseios da comunidade”, disse.

Apesar da Fiep ter tomada a frente, o movimento já conta com a participação de mais de 100 entidades que desejam que o projeto ganhe as ruas, a casa das pessoas e as empresas. Na avaliação de Campagnolo, é fundamental que o Brasil trate urgentemente de uma reforma política e administrativa para repensar o modelo de gestão. Ele também avaliou que o Paraná tem sido diferenciado no combate à corrupção e sugeriu que mais pessoas, sejam empreendedores, profissionais liberais, professores, produtores rurais, entre outros, se engajem na política.

“Estamos vivenciando uma crise e, por isso, as eleições são tão importantes. O movimento Vote Bem vem para transmitir a sensibilidade da sociedade, levando esse grito à Suprema Corte. Todos os candidatos serão fiscalizados. Precisamos urgentemente de bons samaritanos”, concluiu.

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa da FEMIPA