Ambulância traz motoqueiro acidentado para atendimento no Hospital do Trabalhador no início do mês: pronto-socorro fechado obrigou a transferência do paciente

Ambulância traz motoqueiro acidentado para atendimento no Hospital do Trabalhador no início do mês: pronto-socorro fechado obrigou a transferência do paciente

A violência no trânsito está sobrecarregando o sistema de urgência e emergência médica no Paraná. A alta demanda de atendimento a vítimas de acidentes é apontada por administradores de prontos-socorros como um dos maiores culpados pela oferta insuficiente de leitos de UTI no estado. Nos últimos dez anos, o número de feridos no trânsito no estado cresceu 54%. Só no ano passado foram 56.926 vítimas de colisões e atropelamentos, segundo o Anuário de Trânsito do Paraná 2010.

“Vivemos hoje uma epidemia de acidentes de trânsito. Nos últimos seis anos, o número de acidentes de moto aumentou em sete vezes. Nos municípios com menos de 20 mil pessoas, esse número aumentou nove vezes”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que esteve em Curitiba na última terça-feira. “O trânsito se tornou uma fonte inesgotável de pacientes”, lamenta Gustavo Justo Schulz, coordenador da Câmara Técnica de Urgência e Emergência do Conselho Regional de Medicina do Paraná.

A saúde pública no Paraná conta hoje com 824 vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), mas somente 32 cidades oferecem esse tipo de leito. A região metropolitana de Curitiba (RMC) concentra a maior parte: são 297 em toda a RMC e 179 em Curitiba, segundo dados do DataSUS.

Uma das soluções para desafogar os atendimentos de urgência nos hospitais referência seria a instalação das Unidades de Pronto Atendimento 24 horas, conhecidas como UPAs, um projeto do Ministério da Saúde. Mas apenas nove estão em funcionamento no estado e a construção das 43 previstas caminha lentamente.

A superintendente de gestão da Secretaria de Saúde de Curitiba, Anna Paula Penteado, diz que é nos finais de semana que a rede de urgência mais sofre com a falta de vagas. “De quinta a domingo acontece de tudo: acidentes de trânsito, acidentes com idosos, violência. Com isso, os prontos-socorros ficam lotados até segunda-feira”, afirma.

Saturado

Recentemente, os Hospitais do Trabalhador e do Cajuru, em Curitiba, foram obrigados a recu­­sar mais pacientes nos prontos-socorros por causa da superlotação no fim de semana. O pico de atendimento durou menos de 48 horas, mas foi suficiente para causar transtornos.

Segundo o diretor do Hospital do Trabalhador, Geci Labres de Souza Junior, o fechamento da emergência foi um caso pontual, mas a demanda realmente aumentou. Para ele, o sistema de atendimento de saúde em geral deve funcionar em rede. “Pacientes mais leves têm que ficar em atendimentos mais simples e casos graves e complexos devem ser atendidos em hospitais”, afirma.

“Grande parte do excesso que chega é fruto de uma falta de estruturação do sistema como um todo. O termômetro dessa rede é a emergência. Quando acende uma luz vermelha significa que alguma coisa está errada”, opina Schulz.

Segundo o secretário de estado da Saúde, Michele Caputo Neto, a situação atual é reflexo da falta de atenção ao setor. “É um problema histórico. Foram muitos anos de falta de investimento e de prioridade. Mas vamos qualificar nosso atendimento”, diz.

Schulz considera que apenas a criação de novos leitos de UTI não é suficiente. “Também precisamos resolver os casos mais rápido, para haver um giro dos leitos. Mas isso não é só culpa do médico e, sim, do sistema como um todo, do subfinanciamento da saúde”, diz.

Empresa terceirizada vai operar ambulâncias do Samu na capital

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em Curitiba, passará por algumas mudanças entre 60 e 90 dias. O gerenciamento do Samu continuará sendo feito pela prefeitura de Curitiba, mas alguns serviços passarão a ser prestados por uma empresa terceirizada, que venceu a licitação feita pelo município.

A Ecco-Salva (cuja razão social é Salva Serviços Médicos de Emergência) será responsável pela contratação de motoristas, socorristas, rádio-operadores e também pela compra de equipamentos de GPS e pela manutenção das 18 ambulâncias. Os veículos pertencem ao município.

Segundo o superintendente-executivo da Secretaria Municipal de Saúde, Wagno Rigues, a contratação desses profissionais é feita, até o momento, pelos hospitais referência de Curitiba – Evangélico, Cajuru, de Clínicas e Cruz Vermelha, mas há a necessidade de melhorar e agilizar o serviço prestado à população, por isso foi feita a licitação.

Esses hospitais têm contrato com a prefeitura para fornecer plantonistas para trabalharem nos Centros Municipais de Emergências Médicas. “A burocracia era muito grande, por exemplo, para consertar uma ambulância. Essa é uma das questões que será solucionada”, afirmou Rigues.

O contrato tem validade de 12 meses e o edital prevê o pagamento de R$ 484 mil por mês (R$ 5,8 milhões no total). “O controle da central 192 e o gerenciamento da central de leitos e do Samu continuam sendo feitos pela prefeitura. Trata-se de um serviço público que será otimizado”, afirmou o superintendente-executivo.

Processo seletivo

Segundo Rigues, a contratação dos profissionais será feita pela empresa por meio de processo seletivo. Não se sabe se os profissionais que trabalham atualmente irão continuar.

O departamento de marketing da Ecco-Salva informou que ainda não definiu como serão feitas as contratações, pois ainda está tomando conhecimento de como funciona o Samu.

 

 Fonte: Gazeta do Povo – 21/10/11