A tarde de quarta-feira (18) do 18º Seminário Femipa foi dedicada às salas temáticas, que reuniram especialistas e gestores hospitalares em discussões simultâneas sobre áreas estratégicas da administração em saúde.

Com trilhas voltadas à Gestão de Pessoas (RH), Gestão de Logística e Infraestrutura Hospitalar, Gestão da Assistência e Segurança do Paciente e Gestão Hospitalar, os encontros proporcionaram aprofundamento técnico, troca de experiências e reflexões práticas sobre os desafios atuais e futuros enfrentados pelas instituições filantrópicas.

 

Gestão de Pessoas (RH)

Na sala temática de Gestão de Pessoas (RH), os debates foram centrados nos impactos da saúde mental no ambiente hospitalar e nos desafios da liderança diante das novas exigências regulatórias e humanas.

Na palestra “Saúde mental no trabalho NR-01 – estamos preparados?”, o CEO da Fator RH, Fabrizio Rosso, trouxe uma provocação sobre o foco excessivamente técnico das instituições ao lidar com a norma, destacando que o principal risco hoje está na gestão de pessoas. “A NR-01 virou assunto, mas não virou transformação. O problema nunca foi técnico, sempre foi humano. E hoje, o maior fator de risco dentro dos hospitais é a liderança despreparada”, afirmou.

Na sequência, o diretor do Hospital San Julian, Marcelo Durante Bittencourt, apresentou a experiência prática da instituição na implementação de ações voltadas à saúde mental. “Hoje, se não acompanharmos e treinarmos o líder, ele se torna o principal causador da dor dos colaboradores. Isso é gestão contínua, não tem volta”, destacou.

Encerrando as palestras da sala, o CEO da GesSaúde, Roberto Gordilho, abordou o tema “Capacitação e Integração: desafios da força de trabalho atuais e futuros”, reforçando que o principal ativo das instituições de saúde são as pessoas. Ele destacou que, embora tecnologia e infraestrutura tenham avançado, o grande desafio está no desenvolvimento de lideranças mais preparadas para lidar com equipes em um ambiente cada vez mais complexo. “Desenvolver pessoas não é só torná-las profissionais melhores, mas pessoas melhores. Porque líderes melhores formam times melhores. E isso transforma toda a organização e a sociedade”, afirmou.

 

Gestão de Logística e Infraestrutura Hospitalar

Na sala temática de Logística e Infraestrutura Hospitalar, os debates foram direcionados à modernização das estruturas físicas e à adoção de práticas mais sustentáveis e eficientes nos serviços de saúde.

Abrindo a programação, o diretor da Bumerangue Tecnologias Ambientais, Arildo Falcade Junior, apresentou soluções voltadas à sustentabilidade no setor, destacando como melhorias em instalações e o uso de ferramentas digitais podem contribuir para sistemas de saúde mais ecológicos e economicamente viáveis.

Em seguida, o diretor da Secta System, Jean Cleber Sbricigo, abordou a importância do planejamento estratégico das infraestruturas elétrica e hidráulica, enfatizando que projetos bem estruturados são fundamentais para garantir eficiência operacional, segurança e continuidade dos serviços hospitalares.

 

Gestão Hospitalar

Na sala temática de Gestão Hospitalar, os debates abordaram desde a importância do trabalho colaborativo até os desafios jurídicos enfrentados pelas instituições filantrópicas. O médico pediatra Edson Roberto Arpini Miguel destacou que a construção de resultados na saúde depende de uma atuação integrada entre equipes assistenciais e de gestão. Ao tratar do tema “Trabalho conjunto = Resultado compartilhado: o sucesso depende de cada um?”, ele reforçou que a colaboração precisa ir além da multiprofissionalidade. “Não basta reunir diferentes profissionais em uma sala. É preciso transformar a prática do outro dentro da sua própria atuação. O cuidado colaborativo precisa acontecer tanto na assistência quanto na gestão”, afirmou, ressaltando ainda a importância de competências como comunicação e desenvolvimento de lideranças.

Na sequência, a advogada Deborah Alessandra de Oliveira Damas trouxe uma reflexão sobre a resolução de conflitos em contratos administrativos com hospitais sem fins lucrativos, destacando a necessidade de mudança cultural no setor. “Nós ainda vivemos uma cultura do litígio, mas precisamos avançar para mecanismos mais eficientes, como mediação, arbitragem e comitês especializados que auxiliem na resolução de conflitos durante a execução dos contratos”, pontuou. Segundo ela, a adoção dessas estratégias contribui para relações mais equilibradas entre o poder público e as instituições de saúde, promovendo maior agilidade e segurança jurídica.

 

Insights, conhecimento e networking

Com a rodada de salas temáticas, todas lotadas e com ampla participação, o 18º Seminário da Femipa reforçou seu papel como espaço de capacitação e desenvolvimento para gestores, administradores e líderes hospitalares de todo o Sul do Brasil, promovendo aprendizado, geração de insights, troca de conhecimentos e fortalecimento do networking no setor de saúde.