A Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (FEMIPA) garantiu a vaga de delegada titular do segmento dos hospitais filantrópicos durante a 16ª Conferência Municipal de Saúde de Curitiba, realizada no último sábado (04), na UniBrasil. A eleição garante à entidade participação na Conferência Estadual de Saúde, etapa em que serão debatidas e consolidadas as propostas aprovadas pelos municípios antes da discussão em âmbito nacional.
O presidente da FEMIPA, Dr. Charles London, destacou a importância da presença da Federação em um dos principais espaços de participação social e construção das políticas públicas de saúde.
“A FEMIPA mais uma vez se fez presente como entidade que representa os hospitais filantrópicos. É um momento importante para discutir políticas de saúde. A Federação participa há muitos anos dessas conferências e também do Conselho Municipal de Saúde, que é o local onde confirmamos a nossa vaga”, afirmou.
Segundo ele, além de acompanhar as discussões sobre o futuro do SUS, a entidade aproveitou a oportunidade para defender pautas históricas do setor hospitalar filantrópico.
“Tivemos a oportunidade de avançar e discutir algumas posições importantes que a FEMIPA vem defendendo há bastante tempo, especialmente a questão do reajuste da tabela SUS e uma melhoria na remuneração dos hospitais que prestam esse serviço tão importante para a população de Curitiba e do Paraná”, declarou Charles.
Como funciona a Conferência de Saúde
As Conferências de Saúde são instâncias de participação social previstas na Lei nº 8.142/1990 e têm como objetivo avaliar a situação da saúde pública e propor diretrizes para o aperfeiçoamento das políticas do SUS. Realizadas periodicamente nos municípios, estados e em âmbito nacional, elas reúnem usuários, trabalhadores da saúde, gestores e prestadores de serviços para discutir prioridades e construir propostas de forma democrática.
Em Curitiba, o processo começou antes mesmo da etapa municipal, com a realização de 109 conferências locais, promovidas nas unidades de saúde, e 10 conferências distritais, uma em cada Distrito Sanitário da cidade. Nesses encontros foram debatidas centenas de propostas relacionadas à organização dos serviços de saúde.
As sugestões semelhantes foram consolidadas e encaminhadas para a Conferência Municipal, onde os participantes foram distribuídos em dez grupos de trabalho para discutir e votar as propostas consideradas prioritárias.
Os debates foram organizados em quatro eixos temáticos: Inovação e Transformação Digital na Atenção à Saúde; Qualificação do Cuidado e Integração das Redes de Atenção; Gestão Eficiente, Sustentabilidade e Governança do SUS; e Participação Social, Equidade e Humanização no Contexto da Inovação.
As propostas aprovadas seguirão agora para a Conferência Estadual de Saúde, onde serão novamente debatidas e consolidadas junto às contribuições dos demais municípios paranaenses. Posteriormente, as diretrizes estaduais serão levadas à Conferência Nacional de Saúde, responsável por subsidiar a formulação das políticas públicas federais para o SUS.
Eleição dos delegados
Após a votação das propostas, os participantes voltaram a se reunir, desta vez divididos por segmentos representativos do SUS, como usuários, trabalhadores da saúde, gestores e prestadores de serviços.
Cada segmento foi responsável por eleger seus delegados, que terão a missão de defender as propostas aprovadas durante as próximas etapas da conferência.
No segmento dos prestadores de serviços, que reúne hospitais filantrópicos, públicos e privados, a FEMIPA foi eleita delegada titular entre os representantes dos hospitais filantrópicos. O Hospital Erasto Gaertner foi escolhido suplente da cadeira.

16ª Conferência Municipal de Saúde de Curitiba. (Crédito: Femipa)
Inovação foi tema central da conferência
Com o tema “Inovação a serviço da vida: excelência e eficiência no cuidado”, a conferência também contou com uma palestra da secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak, que apresentou um panorama das iniciativas de transformação digital implantadas no SUS Curitibano.
Entre os destaques apresentados estiveram a ampliação da telessaúde, a implantação dos Consultórios Digitais nas unidades básicas, a Central de Cuidado Contínuo para acompanhamento remoto de pacientes, a integração do prontuário eletrônico em toda a rede municipal e o uso de inteligência artificial para apoiar a regulação dos encaminhamentos para especialistas.
Durante a abertura, representantes do Conselho Municipal de Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde, do Ministério Público e dos trabalhadores do SUS também destacaram a importância histórica das conferências como instrumento de participação social e construção coletiva das políticas públicas, reforçando o papel do controle social para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde.
